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Overrunning e o desafio de se manter líder

Como as big techs estão deixando de atender o básico pela corrida excessiva de se manter na liderança.

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Imagine que você está em uma maratona e finalmente conquistou a liderança, mas ainda há muito tempo de corrida e você precisa se manter firme mesmo não sabendo o quanto exatamente ainda precisa correr. Você começa a pensar em diferentes maneiras e jeitos de manter sua liderança, aumenta ainda mais a velocidade e começa a esquecer algumas técnicas básicas para manter a constância. Quando você vê, está tão preocupado(a) em se manter na liderança que perdeu o controle de seu fôlego, mentalidade e respiração. 

Esse é o cenário que muitas plataformas de rede social estão se encontrando hoje. Com a corrida incessante para se manter na liderança e ultrapassar concorrentes, as redes sociais estão se pressionando para fazer tudo ao mesmo tempo e surfar todas as ondas possíveis. Apesar do desafio constante de crescimento, esse posicionamento, muitas vezes confuso, deixa de atender o básico e abre lacunas de mercado para que outras soluções sejam criadas. 

Idas e Vindas

As tecnologias digitais transformaram e vêm transformando os aspectos sociais, profissionais e pessoais, impactando o modo como nós vivemos e interagimos com o mundo. E diante deste contexto, as redes sociais se tornaram uma parte indispensável da vida cotidiana das pessoas no mundo inteiro, hoje mais da metade do mundo usa as redes sociais. Mas assim como um pêndulo, que oscila de um lado para outro, nas extremidades, as redes sociais também funcionam desta maneira, e a cada surgimento de uma nova rede social, surgem grandes estímulos para alterarmos (ou repetirmos) a forma como interagimos e nos conectamos. Vejamos por exemplo o TikTok, apesar do formato de vídeos curtos disparar com a chegada da rede social, ele não é novo. Falávamos de vídeos curtos entre 2013 e 2014 (e outras épocas também) com outras redes sociais, como a plataforma “Vine”. Com o Instagram, a mesma situação. Na época estávamos nos comunicando e interagindo através do Facebook e Orkut contando com vários recursos e features, foi através da visão mais minimalista e focada do Instagram que voltamos a época de priorizarmos as fotos, algo que já havíamos tido com o Fotolog, por exemplo. 

As Idas e Vindas nas redes sociais permeiam todos os aplicativos e os usuários estão cada vez mais confusos com o que está por vir. O Twitter, que antes tinha o objetivo de estimular o compartilhamento de nossas ideias através de poucos caracteres, já anunciou um novo formato de textos mais longos, o chamado Twitter Notes. Com o caso de Musk, a rede social também está passando por um período de muitas dúvidas e provocações sobre como deverá ser a plataforma. Quando não está tentando ser um shopping online, o Instagram está tentando clonar o TikTok, com o ressurgimento dos vídeos curtos, o Youtube e o Instagram também alteraram suas prioridades e lançaram o Reels e o Shorts, tendência que falamos em “Até 1 minuto”. Vemos hoje aplicativos incorporando todo o tipo de atividade possível em sua rede como modelos de assinaturas, gorjetas virtuais, NFTs, metaverso, comércio eletrônico, filtros, novos formatos de vídeos e stories, e assim vai!

Diante dessa confusa alteração de prioridades, cópias e ressurgimento de novos formatos, e principalmente a preocupação excessiva em anunciantes e publicidade, as Big Techs deixaram uma lacuna no mercado onde elas começaram a atender mal aqueles que buscam conexões mais reais e simplificadas. 

Um clique para a autenticidade

Quando observamos as gerações mais novas, há uma diferença na forma como visualizam a exposição, interação e conteúdo. No TikTok, principal rede social utilizada pela Geração Z, é possível ver conteúdos cada vez mais criativos e autênticos, e a vulnerabilidade não é um problema. Um movimento que ocorreu em fevereiro no TikTok foi quando os jovens começaram a usar a rede social para mostrar pedidos de demissão e último dia de trabalho. Outro movimento que vemos frequentemente é a exposição e abertura para falar sobre a temática da saúde mental, de estudantes de medicina à profissionais do mercado, os jovens visualizam a rede social como uma forma de apoiar e dar luz a temáticas que são importantes para o desenvolvimento de cada um. Isso também abre espaço para criadores e profissionais especialistas em compartilhar seu conteúdo e informações relevantes para diferentes audiências. 

Visando também experiências mais autênticas e reais, o BeReal surgiu como uma nova rede social que  incentiva os usuários a enviar uma postagem todos os dias para seus amigos para mostrar exatamente o que estão fazendo em tempo real. Ao longo de 2022, a popularidade do BeReal disparou. Somente este ano, o BeReal ganhou cerca de 12 milhões de instalações. O aplicativo se tornou número 10 geral na App Store dos EUA, superando aplicativos tradicionais como Messenger, Snapchat, Telegram, Discord, Twitter e Pinterest. Foi também o aplicativo nº 3 na categoria Redes Sociais. No TikTok, a hashtag #bereal tem mais de 390 milhões de visualizações, enquanto variações no nome trazem milhares ou milhões a mais.

Conexão virtual ou real?

Indo talvez contra a onda de metaverso e conexão virtual, a geração Z está explorando novos aplicativos de conexões reais e estão menos preocupadas com a estética de filtros e inúmeros recursos em um mesmo aplicativo. As principais redes sociais estão mais focadas em conectar usuários com criadores – afinal, é aí que está o dinheiro. Os usuários podem se inscrever, comprar e dar dicas virtualmente aos criadores de conteúdo, mas monetizar amizades é muito mais difícil. Vários aplicativos surgiram para atender demandas nas quais as atuais grandes redes sociais não estão atendendo.  

Em 2015 surgiu o Yubo, um app de salas de transmissão ao vivo voltado para a geração Z e Alpha, onde podem socializar, jogar e fazer novos amigos. Não há criadores na plataforma transmitindo para os fãs, e Yubo não tem planos de avançar nessa direção – da maneira que quase todas as outras grandes plataformas sociais têm hoje. Em vez disso, o foco de seu aplicativo é ajudar os usuários a socializar naturalmente, do jeito que já estão confortáveis, depois de crescer usando serviços como FaceTime e sair com amigos em outros aplicativos de vídeo ao vivo. 

O aplicativo LiveIn, lançado em janeiro de 2022 também disputa por um pedaço da lacuna de mercado. Este aplicativo de rede social de tela inicial vem com seu próprio toque. Em vez de apenas enviar fotos de selfie para os telefones dos amigos, os usuários também podem enviar vídeos e desenhos. 

A tendência também está afetando o namoro, levando à maior aquisição de todos os tempos da Hyperconnect pela Match por US$ 1,73 bilhão, que estava construindo aplicativos de “descoberta social” que não foram projetados especificamente para conexões românticas. E o Bumble hoje está reforçando seu recurso “BFF” à medida que os jovens estão mudando seu interesse para aplicativos de busca de amigos.

Paro ou continuo? 

Para se manter na liderança é notável a necessidade das empresas de inovarem, estarem a par das novas tecnologias, tendências, e principalmente de criar novas soluções que agreguem diferentes valores para seus usuários. Contudo, a busca incessante de se manter na liderança de forma constante traz riscos claros que muitas vezes impedem as big techs de realizarem seu “arroz com feijão” bem feito. Ao  mesmo tempo que anunciam grandes marcos e novidades tecnológicas, as mesmas deixam de agradar o seu usuário mais constante ou aquele anunciante que despende grande investimento diário em sua plataforma. 

O equilíbrio entre a permanência na liderança, o crescimento e a constância na qualidade de sua entrega não é só um desafio das big techs mas de milhares de empresas. Mas assim como o corredor deve manter uma respiração controlada e sua mentalidade concentrada, as empresas também precisam ter seu “respiro” e concentração, afinal, não basta apenas a velocidade em uma maratona e qualquer outro competidor com controle melhor pode ameaçar sua liderança. 

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