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Até 1 minuto

Os efeitos dos vídeos curtos no consumo de conteúdo.

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“Até 1 minuto” esse é o direcionamento mais abordado ultimamente quando falamos de criação de conteúdo para as redes sociais. Os chamados ‘vídeos curtos’ ganharam grande notoriedade e repercussão nas plataformas digitais. Com a influência recente do TikTok, a forma como consumimos conteúdo ficou mais rápida, prática e objetiva, e as marcas correm para entender como encaixar sua estratégia e narrativa neste formato. Se você pensa que são apenas adolescentes que estão próximos deste formato, você está equivocado(a). Os vídeos curtos já são os mais assistidos em todas as gerações de acordo com a Global Web Index. 

De um lado, vemos grandes oportunidades surgirem, como o aumento de criadores de conteúdo deste formato que possibilitam grandes parcerias com marcas, conteúdos criativos e adaptáveis para uma comunicação assertiva e clara, ferramentas cada vez mais fáceis para edição e criação (o que antes precisávamos de um time técnico, hoje conseguimos criar na palma da nossa mão) e, também, um dinamismo maior na forma como consumimos conteúdo e nos entretemos. Do outro lado, acabamos banalizando a falta de profundidade, nos tornando mais impacientes e reféns do “Até 1 minuto”. Mas será que todo conteúdo deveria ser adaptável ao vídeo curto? 

Território competitivo

O formato deu um boom de crescimento com a chegada no TikTok, que em 2020 foi o aplicativo mais baixado no mundo e influenciou grandes plataformas como Instagram e Youtube a se adaptarem para esta nova tendência. Foi visando essa competição que surgiram o Instagram Reels e o Youtube Shorts, fora outras plataformas que também se adaptaram aos vídeos curtos como Facebook, Pinterest, Netflix (com ‘Risadas Rápidas’), Masterclass e o próprio Kwai, concorrente do TikTok que anunciou recentemente o surgimento de mini-novelas originais exclusivas em formato vertical com episódios de dois minutos com o objetivo de unir a cultura brasileira de novelas com o formato de vídeos curtos. 

Os que ficaram pelo caminho…

Apesar do formato disparar com a chegada do TikTok, ele não é novo! A plataforma Vine, por exemplo, já atuava com o modelo bem antes, mas não soube se adequar ao mercado e lidar com a alta concorrência das grandes redes socais. O que hoje chamamos de ‘TikTokers’, chamávamos de “Viners” entre 2013 e 2014 (período auge de usuários na rede social). Contudo, os jovens que utilizavam a plataforma na época foram atraídos por novas propostas como Instagram e Snapchat. Além disso, muitos criaram seus próprios canais no Youtube, onde poderiam monetizar seu conteúdo, algo que não era possível no Vine. Portanto, o Vine foi perdendo importância à medida que o YouTube atraía mais usuários influentes e o Snapchat e Instagram ajustavam suas propostas às demandas do público e dos criadores.

O Quibi, plataforma de “short-streaming”, também é um exemplo!  Lançada em 2020, a Quibi perdeu sua importância logo após 6 meses de sua estreia. Mesmo com um investimento inicial de US$ 1,75 bilhão, o produtor Jeffrey Katzenberg como fundador e grandes nomes de Hollywood, a plataforma teve uma audiência abaixo do esperado, fruto da alta concorrência como TikTok e Youtube, que ofereciam uma infinidade de conteúdos gratuitos enquanto seu modelo não oferecia uma opção sem cobrança. 

Menos produção, mais criatividade

Apesar de ser pouca duração, os vídeos curtos exigem uma enorme capacidade criativa. Antes, a qualidade e alta produção publicitária determinava o sucesso de um conteúdo, hoje, a criatividade é a chave! O próprio TikTok não se posiciona como rede social e sim, como uma plataforma de entretenimento. O que isso significa na prática? O tempo despendido na plataforma é alto e os consumidores querem ver conteúdos que o interessam de forma rápida e criativa. Criadores com alto poder criativo de forma caseira “dão um banho” em marcas que despendem dias com alta produção na construção dos vídeos. E quando essas marcas percebem que não é através da produção que irão se diferenciar, iniciam a busca por parcerias estratégicas de criação e narrativa. Assim, é potencializada a co-produção entre marcas e criadores de conteúdo como forma de aproximar a marca do público contando com a alta criatividade e proximidade do creator. 

O que muda? 

O aumento no consumo dos vídeos curtos não só influenciam como criadores, profissionais e marcas constroem suas estratégias, como também nos trazem reflexões importantes sobre o nosso comportamento. A “tiktorização das profissionais” é uma temática que vem sendo abordada nas redes e nos questiona sobre a necessidade e limitações da adaptação dos conteúdos para o entretenimento curto e objetivo. Por um lado, vemos milhares de profissionais criarem suas oportunidades dentro deste formato, de outro, é comum vermos a falta de profundidade, informações incorretas e um desespero pela viralização. Entender os limites, caminhos e oportunidades é crucial para um bom uso do formato. E não só isso, é importante nos questionarmos sobre como o formato influencia a forma como consumimos e queremos consumir. Os vídeos curtos geram efeitos ótimos pela sua rapidez e praticidade, mas podem fazer com que banalize a profundidade de informações, nos tornando também mais impacientes. O efeito é natural, mas devemos entender seus limites para um consumo mais saudável. 

To be continued…

Como comentamos acima, no caso das Telenovelas do Kwai, a tendência dos vídeos curtos está também se adaptando ao modelo Netflix de séries e temporadas. Aqui, a vantagem é utilizar o conteúdo para criar uma régua de comunicação e estar presente no dia a dia das pessoas. Pense inclusive nas mudanças da educação, seria possível uma aula em 1 minuto? Se o uso de conteúdo e learning vem sendo muito utilizado no B2B, a própria Salesforce já criou o seu “Netflix do B2B”. O entendimento de como criar uma comunicação curta, mas efetiva, e que ao mesmo tempo engaje num relacionamento de longo prazo pode ser a chave para a nova forma de marcas criarem relacionamentos.

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