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O smartphone que fica em casa

Desafios e oportunidades de um novo comportamento mobile.

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Telefone móvel ou fixo?

O avanço da tecnologia no mundo financeiro, com soluções de mobile banking e o PIX, trouxe uma série de benefícios, mas também uma série de desafios. O Smartphone se tornou o novo “caixa eletrônico” dos ladrões e hoje os “ganhos” (se assim podemos dizer) dos assaltantes vai muito além do valor do aparelho, e sim uma porta de entrada para todas as contas da pessoa, e por vezes da empresa, de quem teve o seu aparelho extraviado. O assunto, que por si só já nasce como caso de polícia, vem ganhando uma série de repercussões conforme os crimes avançam e os prejuízos também.

Como consequência destes acontecimentos, uma mudança importante de comportamento está surgindo, as pessoas elegendo o “celular do Pix” ou do “Mobile Banking”. Ou seja, um aparelho que fica em casa, seguro, e serve apenas para esse tipo de movimentação de contas bancárias e outros aplicativos específicos, em alguns casos até apps de e-commerce e delivery, já que nos casos de roubos tem sido comum os assaltantes não apenas acessarem as contas de bancos, mas também fazerem compras e pedidos online.

Smartphone coletivo

O ponto que conecta os fatos acima ao nosso assunto de hoje é que, com as pessoas adotando o hábito de ter um aparelho em casa, e para finalidades tão específicas, não faz sentido cada pessoa da família ter o seu… Com isso, o smartphone, referência máxima da internet pessoal, passa a ser um aparelho coletivo, de uso compartilhado… e esse ponto pode trazer uma série de desafios e oportunidades.

Como desafio temos as empresas de comércio eletrônico, finanças etc, que possuem em sua lógica de segurança, UX e esforços de marketing, algoritmos que cruzavam os dados dos clientes com informações do hardware para entender e definir comportamentos. No caso da segurança, por exemplo, sempre que uma conexão acontece num hardware diferente, uma luz vermelha acende… Mas e agora, com diversas pessoas usando o mesmo aparelho? Ou trocando de aparelhos? Como fica a nova lógica de “fingeprint”?

Cloud Phone

Podemos encarar esses fatos como algo pontual e específico, mas após a pandemia percebemos que influências externas podem sim criar transformações que mudam hábitos e comportamentos de forma definitiva. Além disso, em Outubro de 2020, em uma newsletter aqui do Morse sobre 5G, trouxemos uma provocação sobre a possibilidade de existir em algum momento o conceito de “cloud phone”. Ou seja, com tudo na nuvem, e a internet avançando cada vez mais em aumento de velocidade e diminuição de latência, em breve todo o seu smartphone poderia estar na nuvem, correto? Se for assim, qualquer aparelho poderia ser o seu aparelho em menos de 1 segundo. Indo para o Metaverso, no qual os devices estão sendo vendidos por valores astronômicos, a tendência do hardware compartilhado deve crescer também.

Onde o impacto chega antes?

Mas ainda no universo dos smartphones, mais especificamente dos que estão ficando na gaveta de casa, quais as perdas potenciais para um banco, fintech e e-commerce, de não estar mais no dia a dia dos seus clientes? Nessa semana o TikTok anunciou uma parceria com o Foursquare para um projeto de store visits nos EUA e Canadá, algo que já acontece aqui no Brasil. A Hands por exemplo já atua com esse tipo de tecnologia há algum tempo. Esse tipo de iniciativa tem como objetivo gerar análises e insights sobre a efetividade de campanhas de marketing e mídia, sejam elas online, ou mesmo offline (OOH). Mas e se os aplicativos que fazem esse tipo de análise começarem a ficar em casa…?

No caso dos grandes bancos e varejistas, que têm se movimentado cada vez mais para virarem as versões brasileiras de SuperApps, não estar mais no bolso dos clientes tem um impacto gigantesco não apenas para os algoritmos de segurança, mas para a estratégia de negócios. O Banco Inter anunciou essa semana que “Diferença no resultado líquido [que superou o período anterior] é justificada pela alta das receitas de operações de crédito e aumento de transações pelo marketplace”. Com o celular em casa, ambas as frentes podem sofrer desafios pois algoritmos de análise de crédito também consideram dados de comportamento do device e o marketplace, com menos tempo na mão das pessoas, perde oportunidade de envio de ofertas instantâneas que estimulam a compra por impulso.

IoT Behavior

Se formos um pouco mais a fundo, se de um lado os aparelhos digitais, de uso individual, começam a se tornar coletivos, de outro, aparelhos coletivos, mas offline, começam a se tornar online, como por exemplo as geladeiras, os automóveis etc.

Nesse contexto, como será o potencial da análise de dados gerada por esses aparelhos? 

Um dos maiores desafios para uso de dados está relacionado às Leis, como LGPD e GDPR, porém, ambas são Leis que protegem os dados de pessoas, e não de objetos… E hoje, os objetos conectados (IoT) são um dos maiores geradores de dados sobre diversos tipos de negócios e comportamentos.

Ainda este ano, o mercado de IoT deverá crescer 18% para 14,4 bilhões de conexões ativas. Espera-se que, até 2025, haja aproximadamente 27 bilhões de dispositivos conectados. Nesse contexto, são inúmeras as oportunidades das marcas construírem experiências personalizadas, combinando dados, sensores, informações e criatividade. 

Copo meio cheio

Se de um lado existem potenciais perdas com essa mudança de comportamento, por outro existem as oportunidades, e elas podem vir de algumas frentes. No caso do celular compartilhado em casa, ou no trabalho (algumas empresas também estão elegendo seus aparelhos de gaveta), ganha-se a oportunidade de criar um novo canal de contato mais efetivo com um grupo de decisores. Para uma montadora, ou mercado imobiliário, no qual a compra passa por uma decisão compartilhada na família, conseguir interagir de forma única com todos tem o seu valor.

Outra forma de aproveitar esse novo comportamento é através dos novos devices coletivos conectados. Em 2019, a Walgreens começou a testar refrigeradores inteligentes que combinam câmeras, sensores e portas de tela digital para exibir os produtos dentro, além de um anúncio personalizado aos compradores. Embora a tecnologia não reconheça rostos e armazene identidades por motivos de privacidade, ela prevê a idade e o sexo do comprador baseado dos dados do objetos que estão sendo retirados. Isso poderia estar também na casa das pessoas, e esse exemplo acho que já pautou muitas newsletters e conteúdos por aí. Mas poderíamos ir mais longe. Imagine uma esteira ou bicicleta ergométrica de uma academia. Sem dados nenhum do usuário, mas apenas pelos dados do próprio aparelho, é possível diferenciar uma pessoa “apenas” se exercitando de um esportista de alta performance, certo? Nesse caso, marcas e produtos diferentes poderiam ser oferecidos. Agora extrapole isso para outros devices por aí… Mas e ai, valeu a reflexão sobre como essas mudanças podem impactar seu dia a dia, sua empresa ou o seu negócio?

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