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Como nasce a inovação?

Olhar para o futuro? Para os lados? Para o cliente?

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Aqui no Morse falamos muito sobre mudanças no mercado e comportamento do consumidor, cases, novas tecnologias, novos modelos de negócios, tendências e muito do que podemos considerar os “inputs da inovação”. Com um mercado extremamente dinâmico, volátil e incerto, temos hoje empresas sendo desafiadas diariamente, não apenas pelo concorrentes, mas sim para se manterem relevantes em seus ecossistemas. Nesse contexto, inovar é a base para se manter vivo, e por isso vemos empresas criando novas soluções, adaptando modelos de negócios, revisitando projetos antigos, juntando-se a outros negócios, apostando em StartUps ou aprendendo com novos universos e tendências de consumo. Movimento esse que vai desde os grandes players globais, com a Netflix entrando no mercado de Games e criando novos modelos de receita com a publicidade e o Facebook mudando todo seu posicionamento para o metaverso, ou empresas pequenas o seu negócio criando inovações em seus processos, ou mesmo empresas nacionais, que vem fazendo isso aqui no Brasil, como nos inúmeros cases que já abordamos aqui no MorseCast Entrevistas.

All in !?

Com os movimentos recentes da Meta, bem como as consequências que acompanhamos por aqui, a Inovação Radical vem sendo falada em artigos nas últimas semanas. Ela consiste em um movimento que muda fortemente o cenário da empresa e marca, como uma mudança no posicionamento, dinâmica cultural, processos, produtos ou serviços. Mas essa é apenas uma das formas de inovar, então não sai por ai no “all in”, antes de entender um pouco melhor as outras possibilidades.

Existe também a Inovação Incremental, que é uma evolução de uma inovação já realizada pela empresa ou mercado, mas com características incrementais que o tornam melhor, como um software que de tempos em tempos recebe novas features e recursos para melhorar a experiência.

Já a Inovação Disruptiva acompanha mais o mercado, se trata de um movimento que ganha espaço e escalabilidade, atingindo um grande público ao mesmo tempo. Há uma superioridade nesta inovação que é percebida pelos consumidores, por ser mais acessível, simples ou conveniente, como por exemplo o Whatsapp e o Ifood. 

Mas como nascem estes processos de inovação, sejam eles radicais, incrementais ou disruptivos? 

Inputs para a inovação 

Muitos pensam que inovação está atrelada a tecnologia de ponta, inteligência artificial e até buzzwords do mercado. Mas já abordamos por aqui em nosso Morse Trends ‘Flintstones vs Jetsons’ sobre como tecnologia e futurologia não precisam ser a base da inovação. Há muitos processos de inovação que acontecem diante de soluções criativas simples, por vezes básicas e rudimentares, que por vezes são impulsionadas por falta de orçamento,  mas que podem fazer parte da cultura de inovação mesmo de empresas grandes e capitalizadas, mas que desta forma consegue ter uma cultura de inovação ágil e descentralizada.

Seja qual for a estratégia, inputs, ou metodologia para inovar, um elemento estará sempre envolvido no processo, e ele tende a ser o mais desafiador e o mais importante ao mesmo tempo. Sabe do que estamos falando? Pessoas ! São elas que questionam, visualizam, perguntam, pedem, criam e erram. Portanto, o elemento principal do processo de inovação envolve gente, antes de qualquer tecnologia ou método. Ou seja, o modelo da cultura de inovação das empresas deve apoiar as pessoas a identificarem as oportunidades disfarçadas ao seu redor. O livro ‘Oportunidades Disfarçadas’, de Carlos Domingos, apresenta um verdadeiro catálogo de ideias criativas e soluções originais para as mais variadas dificuldades vividas por empresas de todos os tamanhos. São vários os exemplos de empresas, empreendedores e profissionais que souberam interpretar e identificar oportunidades de inovar por conta de erros, demissões, pedido de cliente, mudanças, entre outros. Vale a leitura! 🙂 

Olhando pro lado

Na semana passada publicamos o MorseCast ClickBus e a inovação via modelo de negócios no qual batemos um papo com o Phillip Klien, atual CEO da ClickBus, e que já teve passagens por empresas como OLX, PicPay, Twitter e Uber. No bate-papo ele mostra como a empresa está inovando no mercado de transportes rodoviários, ultrapassando a marca de bilhão no faturamento, fazendo “basicamente” o que já acontecia em outros mercados, como o da aviação civil por exemplo. Ou seja, está aqui um grande exemplo de como a inovação pode acontecer adaptando tecnologias, metodologias ou até mesmo modelo de negócios já existentes em outros mercados.

A grande vantagem de olhar para os lados é que te permite aprender com erros e acertos dos outros negócios. A inovação requer aprendizado constante e é preciso saber que o movimento poderá impactar, de forma positiva ou mesmo negativa o dia a dia, então poder mitigar os riscos com base no que os outros já fizeram pode ser super proveitoso. Ao invés de criticar um movimento feito por um concorrente, questione, verifique se feito de outra maneira ou em outro contexto poderá possibilitar melhores ou outros resultados, quem sabe há uma oportunidade disfarçada aí! 

Importando inovação

Um outro input muito utilizado nos projetos de inovação está relacionado à olhar para outros mercados. E aqui existe um risco enorme em “apenas” importar a inovação, isso porque questões culturais possuem sim um grande impacto. Os exemplos são diversos e pontos simples da cultura e modo de viver causam grandes impactos no que pode ser considerado como uma inovação “ainda não explorada” em seu mercado. 

Em ‘Miopia de Marketing’, artigo de Harvard por Theodore Levitt, há uma referência sobre a miopia das empresas em “se concentrar nos produtos em vez dos clientes”, ou seja, uma visão curta que as impede de definir adequadamente suas possibilidades de mercado. O risco de importar a inovação pode acarretar nesta miopia, onde não é levado em consideração a cultura, características, comportamento, valores, entre outros pontos daquele mercado. Aqui corre-se o risco conhecido como “Se apaixonar pela solução e não pelo problema”, ou seja, ver algo super interessante em outro País, se encantar pela solução e importar sem mesmo saber se existe o mesmo tipo de problema ou demanda por aqui. Contudo, muitos produtos se adaptam diante do comportamento de uso de suas regiões. Veja por exemplo as redes sociais, o comportamento de uso do TikTok pelos chineses é bem diferente do comportamento de uso dos brasileiros, mesmo que o aplicativo seja o mesmo. As similaridades também acontecem. A Índia e o Brasil sempre se destacam nos dados de uso de redes sociais, porque ambas as culturas passam um tempo considerável nos aplicativos. Um exemplo disso é o Orkut, que se tornou gigante aqui e na Índia. Por outro lado, os tão falados SuperApps, que na China possuem uma dominância agregando diversos serviços, aqui no Brasil e em outras localidades não acontecem da mesma forma por questões culturais, sociais, políticas e até jurídicas.

Inovar é legal?

Aqui, permitam o trocadilho, mas não estamos falando de ser cool, mas sim sobre análises regulatórias. Infelizmente, e isso vem mudando, as leis de países e mercados não estavam preparadas para toda essa inovação, e por vezes inovar anda às margens do que já está escrito como lei, até que elas se “adaptem” às novas realidades. Muitos negócios nasceram e evoluíram dentro deste cenário, caminhando lado a lado à criação das novas regras, construindo modelos de negócios e “puxando” a legislação para avançar no sentido de abranger as mudanças e impactos necessários. Uber e AirBNB são grandes exemplos.

Novas regras, novos mercados

Por outro lado, a partir do momento que as regras mudam, novas oportunidades podem surgir ou evoluir. O mercado financeiro e a saúde são dois grandes exemplos. No primeiro, as novas regulações do banco central e da CVM permitiram o surgimento de novos negócios e a aceleração das empresas. A Resolução CVM 88, que entrou em vigor em Julho deste ano, criou novas oportunidades para investimentos em StartUps e catapultou negócios como o da CapTable. Já no caso do Banco Central, as mudanças com o Open Banking criaram diversas novas oportunidades de inovação e suportaram o surgimento e o ganho de escala de empresas como Guia Bolso, adquirida pelo PicPay, e Marvin. Ou seja, em alguns casos e  mercados, a inovação pode vir não de áreas de tecnologia testando plataformas de Metaverso ou robôs autônomos, mas sim da área jurídica, que ao acompanhar as mudanças regulatórias pode encontrar uma boa oportunidade.

Mas, e o que pode atrasar ou até mesmo travar a inovação?

Onboard: contexto vs regras

Começando pelo começo, e aqui literalmente, um grande ponto que desestimula e trava a inovação muitas vezes está em algo simples e cotidiano, que fica bem distante dos núcleos de inovação, mas que deveria na verdade andar lado a lado pois molda a cultura;a contratação e onboarding de novos colaboradores. Steve Jobs, em uma de suas célebres frases, dizia, “It does not make sense to hire smart people and then tell them what to do. We hire smart people to tell us what to do.”, ou traduzindo para o português, “Não faz sentido contratar pessoas inteligentes e dizer para elas o que devem fazer. Contratamos pessoas inteligentes que elas nos digam o que fazer”. O discurso é bonito, e talvez muitas pessoas já conheçam, mas na prática muitas vezes ele termina logo depois do “Bem vindo à nossa empresa”. Aqui o ponto é simples, prático e objetivo, se o onboard de colaboradores foca muito mais no como algo é feito e não no porque algo é feito, você já começa limitando, ou pelo menos atrasando a inovação. O onboard deve dar contexto, apresentar qual o cenário que levou a empresa a se organizar e agir de determinada forma, pois assim um recém chegado pode aproveitar o fato de ainda não estar “viciado” no que já é feito e usar o frescor de suas experiência externas para contrapor ao contexto, desafio e oportunidades da empresa.

Saber pedir

Outro ponto simples, e também cotidiano, que pode limitar a inovação é o fato de não se saber pedir ou delegar algo… No MorseCast “Você sabe pedir”, falamos justamente sobre isso, e como você ou sua empresa podem organizar melhor suas demandas e processos para delegar seus projetos, inclusive os de inovação. Aqui novamente o contexto é rei. Fora das “áreas de inovação”, tudo o que é relacionado à inovar sai do job description do dia a dia de muitas pessoas que precisam co-participar de algo para que possa, minimamente, ser testado. Ou seja, sem saber “conquistar” a atenção, o tempo e a dedicação de outras pessoas é o maior desafio para avançar e o “saber pedir” pode ser o grande diferencial.

Não “organizar o que pode dar errado”

É comum empresas dizerem que permitem o erro já que ele está atrelado à inovação. E não poderia ser diferente já que ao tentar fazer algo novo a chance de errar é infinitamente maior do que se você repetir o que já está definido, testado e implementado. Porém, simplesmente dizer “o erro é aceitável” por vezes é pior… No final, todo mundo sabe que erros precisam ter limite, e sem dar o limite, cada um pode criar o seu, e ao tentar errar pouco, inovar pouco, ou ao ser muito ousado, causar um problema grande o suficiente para travar novas oportunidades de inovação. Mas como fazer isso? Em um outro artigo aqui do Morse falamos sobre os OQR’s, Objectives and Quit Results, uma abordagem que nós mesmos trouxemos, com base na metodologia de OKRs, com uma provocação sobre como as empresas podem, e devem, definir o “quit” result, ou seja, até que ponto se pode ousar, quais indicadores devem ser analisados para entender os efeitos colaterais, e qual o máximo de exposição em cada indicador que a empresa está disposta a arriscar. É óbvio que esse trabalho não consegue mapear 100% dos riscos, e obviamente ele pode ser revisitado ao longo do tempo, mas definir um pouco melhor os erros e riscos pode ajudar na criação de um ambiente de confiança real para não ter o erro como trava.

KPIs da Inovação

É comum dentro das empresas as áreas, ou iniciativas, de inovação serem tratadas por outras áreas e colaboradores com uma certa resistência ou até ironia… “Ah, ali o trabalho é fácil! Viagem para eventos, falar com startups, ficar fazendo experiências… mas bater meta que é bom…” Sim, isso acontece em todo lugar e a culpa não é da área de inovação e nem de quem pensa desta forma, mas sim da empresa que não organizou e deixou claro qual o papel da inovação na estratégia nem quais os KPIs que estão sendo monitorados. No MorseCast Os KPIs de Inovação da Ambev, o Bruno Stefani, Diretor Global de Inovação da Ambev, fala da importância do assunto e como ele é tratado na companhia.

Vou não Vou

O maior desafio, risco, e dor, das áreas de inovação vem da péssima sensação, e do gosto amargo, de ver o seu concorrente fazendo algo que você não fez… E a sensação pode ser ainda pior quando outras pessoas ou áreas da empresa questionam o porquê de não terem pensado ou feito isso antes. Esse medo, ou dor, no caso dos que já sofreram isso, faz gerar aquele desespero de querer fazer tudo, e ao mesmo tempo; blockchain, metaverso, A.I, web3, etc. Ou seja, a perda de foco acontece não pela oportunidade ou direcionamento estratégico, mas sim para não ficar para trás e “passar uma imagem errada” de que não estão antenados às tendências do mercado. Essa dor é tão latente que foi pauta do Morse Trends ‘Vou ou não vou?’, no qual exploramos bem esse assunto. Mas o resumo, que vale trazer para cá, é a importância de deixar claro o que não vai ser feito, e o porquê.

Amor e inovação

Se você quiser implementar, ou ajustar, a cultura de inovação da sua empresa, uma boa dica é pensar que inovação não é uma ação em si, mas sim o resultado de diversas ações. Pense na inovação como o amor (bateu um romance nesta sexta…). Ninguém chega num relacionamento com uma “demanda” do tipo “Gostaria de pedir que a partir do ano que vem você começasse a me amar”. Isso acontece, ou não, com base numa série de atitudes e comportamentos cotidianos. Você sabe, ou deveria saber, o básico do que deve ou não ser feito, e também vai descobrindo novas ações ao longo do relacionamento. Inovação é a mesma coisa. Ou seja, se você quer inovar no seu negócio, garanta que você ou sua empresa apoie as ações e atitudes certas que direcionam seus colaboradores rumo ao caminho de se apaixonar pela inovação. Pois lembrem, inovação é feita por pessoas, e não por tecnologia 🙂

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