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Show me the money

As novas alternativas e estratégias de monetização no mundo digital.

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Se você não paga, você é o produto

Se você já viu documentários como Privacidade Hackeada ou Dilema das Redes, você sabe que quando você não paga pelo produto, o produto é você. Ou seja, as big techs analisam um grande volume de dados dos comportamentos digitais de seus usuários para traçar perfis de cada consumidor e fazer ofertas de anúncios e serviços para as empresas. Com o maior entendimento dos usuários a respeito desta realidade à medida que novos modelos de assinaturas vêm surgindo, há uma maior abertura dos consumidores a pagar por conteúdos e serviços. Segundo o Sensor Tower, as receitas dos 100 principais aplicativos de assinatura (não relacionados a jogos) aumentaram 41% no ano passado, de US$ 13 bilhões para US$ 18,3 bilhões em todo o mundo. 

How to pay the Bill?

De um lado, vemos plataformas antes gratuitas agora sendo pagas por mês, de outro, plataformas pagas que estão se tornando gratuitas por conta dos anúncios. E ainda, plataformas gratuitas onde os próprios usuários podem monetizar e a plataforma leva um “troco”, como por exemplo a Hotmart. O novo comportamento do consumidor em valorizar ativos digitais e pagar por eles cresce à medida que estes movimentos se fortalecem. 

Quem veio primeiro? 

Imagine que você está lá no Youtube para ver seu clipe predileto do artista que você adora e quando entra na parte que você mais curte vêm um anúncio interrompendo completamente o seu momento para te oferecer um produto ou serviço no qual você não está interessado no momento. Isso se chama mídia de interrupção, a mídia que interrompe uma programação para transmitir uma mensagem publicitária. Ela é muito utilizada pelas plataformas para monetizar seus espaços publicitários e também estimular seus usuários a adquirirem seus serviços “premium” ou “completos”, como o Youtube e Spotify. 

A verdade é que à medida que se fortalece essa abertura dos consumidores em pagar pelos ativos digitais, muitos também se cansaram das mensagens publicitárias estimuladas pelas empresas interrompendo seu entretenimento. Esta estratégia possibilitou o crescimento do Spotify com seu modelo freemium e também o Youtube Premium, que lidera o ranking de aplicativos mais utilizados de inscrição paga, com receita de US$1,2 bilhão. 

Novos modelos

Com as restrições cada vez maiores do Google e Apple no que diz respeito à dados para publicidade e este novo comportamento do consumidor, muitas marcas estão fugindo do caminho único de anúncios e estão construindo novos modelos de negócio e monetização. O Neeva, por exemplo, é o primeiro mecanismo de pesquisa privado e sem anúncios do mundo. Normalmente 40% dos resultados de pesquisa do Google são anúncios, com a plataforma Neeva os resultados de pesquisa são 100% reais e sem anúncios, permitindo que os usuários encontrem o que desejam, sem que os anúncios atrapalhem. E é claro, isso tem um preço, a ferramenta oferece um período gratuito que será seguido por um plano de assinatura de $ 4,95 por mês. O que muitos antes utilizavam de forma gratuita, hoje preferem pagar. Outro a aderir essa tendência foi o Tumblr que anunciou que os usuários podem optar por não receber anúncios pagando US$4,99 por mês ou comprando um ano de navegação sem anúncios com desconto. 

Dividir para multiplicar

O Twitter também vem explorando diferentes modelos como o Super Follows, que permite aos criadores vender assinaturas com vantagens especiais, o Spaces, com a venda de ingressos para a participação em salas de áudios exclusivas e o Twitter Blue, versão paga da plataforma que oferece recursos exclusivos para os usuários. Com estes formatos, a empresa atua com revenue share com criadores. Outra plataforma que adota o modelo de revenue share é a Twitch, que lançou recentemente o Programa de Incentivo de Ads, que pagará à streamers selecionados um valor mínimo mensal garantido de receita publicitária. O programa apresentará ofertas personalizadas aos criadores, que se resumem a: transmitir por um número específico de horas — com reprodução de anúncios — em troca de um pagamento fixo.

O melhor dos vários mundos

Abandonar o modelo de anúncios ou manter apenas o modelo de assinatura não é uma opção para as grandes empresas de tech e/ou conteúdo. As grandes plataformas estão explorando o potencial de ambas estratégias (e de várias outras!). A Netflix, por exemplo, anunciou seu foco no desenvolvimento na área de games com o Netflix Gaming. Aqui vale lembrar que os games criaram e evoluíram muito o modelo de in game buy, ou seja, criar subprodutos para os usuários comprarem conforme vão evoluindo na experiência do jogo. Em resumo, no Netflix de “apenas” filmes e séries, você paga sempre a mesma mensalidade. Já no mundo dos games, cada novo mês pode ser uma oportunidade para novas receitas…Através desta estratégia,  a Netflix pretende criar serviços, produtos e ofertas adicionais para crescer receita e market-share. Nesta semana, a empresa anunciou a compra do Next Games por 72 milhões de dólares, um estúdio de games especializado em títulos mobile que lançou o jogo da série Stranger Things, além de um jogo de The Walking Dead.

O Spotify é outra plataforma que vem adquirindo tecnologias e construindo novos modelos de receita. Recentemente, a empresa adquiriu Chartable e Podsights — duas das empresas mais proeminentes de marketing de podcast e atribuição de anúncios. A empresa vem se preparando e anunciando novos formatos de anúncios para podcasts, formato que vem crescendo no mundo todo, principalmente no Brasil, o país que mais ouve podcast no mundo segundo a Global Web Index. 

Revenue Strategy

No MorseCast de ontem, com Aurora Suh, CRO da Omie, um dos assuntos abordados foi justamente o cargo, as responsabilidades e os entregáveis de um(a) Chief Revenue Officer. Mais do que nunca, a forma de monetizar um produto ou serviço digital se torna algo vivo e dinâmico, tendo potencialmente diversos modelos e canais, e em constante evolução e mutação, muitas vezes de forma cíclica. Imagine aqui os Jornais e Revistas, que no passado apanharam muito na migração pro mundo online ao descobrir que na Internet a receita de assinatura despencava e precisariam viver apenas dos ads, vendo agora os gigantes que causaram essa mudança, como o Google, indo para assinaturas…

Qual a dica? Como em qualquer outra frente, analisar e entender o comportamento do consumidor é o principal. É mais fácil remar a favor do que contra a maré…

Dados nos mostram por exemplo que historicamente usuários preferem gastar dinheiro com games e serviços do que conteúdo. Não por acaso a Netflix vem apostando nessa nova frente e o NYT adquiriu o Wordle.

Outro ponto também vindo de análises de comportamento; os usuários preferem pagar por conteúdo de outros usuários do que de empresas, por isso o crescimento de estratégias de big techs em criar esses marketplaces no qual viabilizam essa transação entre usuários em troca de um fee de plataforma.

Em resumo, se sua empresa atua no mundo digital, tenha a certeza que você tem a clareza sobre dois pontos: as possibilidades de monetizar seu produto ou serviço e quais produtos e serviços o seu target está mais acostumado a comprar. Quem sabe você não descobre que é mais fácil gamificar suas notícias ou transformar em serviço o seu conteúdo. Por aqui no Morse, aguardem, em breve, o #MorseQuiz, para saber quem realmente está por dentro das tecnologias e inovações aplicadas aos negócios.

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