Inovação & Futuro

Você contrataria um Avatar? Ou trabalharia para um robô?

Qual o futuro do trabalho conjunto entre a inteligência humana e computacional?

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Você está preparado para contratar um Avatar para trabalhar com você? Se a notícia parece um pouco futurista, trazemos apenas um rápido contexto baseado em notícias recentes, e que já demos por aqui; um terreno e um iate foram vendidos no metaverso. No caso do terreno, o objetivo da compra do espaço, no que seria a “Rua Oscar Freire” ou a “5th Avenue” (menção às ruas famosas por sediar lojas de moda em SP e NY) do Decentraland, seria não apenas a possível valorização do imóvel mas também a possibilidade de organizar ali alguns eventos fashion e criar uma loja para venda de itens virtuais, num conceito muito parecido com o que já acontece no mundo físico. Se o objetivo é esse, eles provavelmente vão precisar de ajuda de pessoas, ou nesse caso Avatares, para organizar e divulgar o evento, ou quem sabe até trabalhar na loja. Nesse caso, com a necessidade de contratar um Avatar…

Head(avatar)hunter

Mas, e contratar um Avatar para uma tarefa que não seja realizada dentro de um Metaverso? A Samsung e a Hyundai, mesmo antes do lançamento da Meta, e todo o hype ao redor do assunto, já vinham utilizando a estratégia de abordar os Avatares em busca de profissionais mais jovens para algumas vagas do mundo real. Com feiras e entrevistas, realizadas dentro do mundo paralelo do digital, boa parte do processo seletivo acabava acontecendo via Avatares. Mas você estaria disposto a fazer, ou aceitar, uma oferta de trabalho com todo processo acontecendo no Metaverso? Com certeza parece estranho, mas no passado também poderia parecer estranho fazer isso via videoconferência e nos últimos dois anos algumas empresas, ou áreas dentro de empresas, chegaram a ter 80% de seus colaboradores sendo contratados e treinados, de forma remota e virtual, sendo que muitos chegaram a entrar e sair de empresas sem nunca ter conhecido seus colegas de trabalho presencialmente.

Work or not work

Seguindo na linha da quebra de paradigmas, com o conceito do trabalho remoto, algumas empresas foram se abrindo para novas possibilidades em busca de encontrar profissionais para atuar nos desafios que estavam sendo apresentados; horário flexível, atuar como freelancer, trabalho de outra cidade, Estado e até país. Indo nessa linha de flexibilização e avanço da tecnologia, e se o profissional não fosse humano? São inúmeros os casos de profissionais que descobriram formas de automatizar, por vezes 100%, o seu trabalho. Em 2016 um caso em específico ficou famoso no Reddit, com um usuário revelando que havia sido demitido após ficar 6 anos empregado, e sem trabalhar, por ter automatizado todas as suas funções. Na época a discussão rendeu e o que colocou a empresa com “razão” na história toda foi que o contrato de trabalho entre as partes era focado na dedicação do profissional, e não na solução de problemas e execução de tarefas. Mas no fim, o que é melhor para uma empresa? Ter a dedicação de horas de um profissional ou ter seus desafios e problemas solucionados da melhor forma possível? Nesse caso, a automação do colaborador atendeu a demanda da empresa por 6 anos… Não sei vocês, mas aqui no Morse ele teria sido promovido… Mas obviamente com novos desafios pela frente

A.I. as a frenemy

Frenemy é um conceito muito utilizado nas relações empresariais quando dizemos que duas organizações podem, ao mesmo tempo, ser parceiras (friends) e concorrentes (enemies). E quando falamos sobre o avanço da inteligência artificial, algoritmos e automação, no mercado de trabalho, o conceito de frenemy se encaixa muito bem. Você pode ver esse avanço como uma ameaça, entendendo que a tecnologia está reduzindo empregos e todos os impactos sociais relacionados. Porém, entendendo que esse é um caminho sem volta, talvez o melhor seja ver o lado “friendly” dessa história. E ele existe… A automação pode estar atrelada a redução de custos, com a diminuição de postos de trabalho, ou pode estar atrelada ao ganho de produtividade e escala. Se você está preocupado que a sua função possa ser substituída por um robô, talvez a melhor coisa a ser feita seja você contratar esse robô para sua equipe.

Você sabe pedir?

Mas o robô não poderia substituir o seu trabalho? Ou o seu headcount? Não necessariamente. Na grande maioria dos casos a inteligência artificial utilizada nas empresas ainda precisa ser programada, gerenciada, atualizada, balizada etc. E aí surge um skill que deve ser o mais demandado dos profissionais nos próximos anos, a habilidade de saber pedir e avaliar o trabalho de um bot ou robô. Parece algo simples, certo? #SóQueNão. Vamos começar pelo básico; você acha que sabe fazer uma pesquisa no Google? Provavelmente não… Uma tarefa tão simples e cotidiana de nosso dia-a-dia, que envolve nossa relação com A.I., possui inúmeras particularidades que poucos conhecem… Tanto que existem vídeos com milhões de visualizações e até cursos sobre como pesquisar no Google de forma mais eficiente. Como diz a frase “garbage in, garbage out“, ou seja, se os seus inputs em uma pesquisa, ou em comandos para um bot, forem ruins o resultado não tem como ser bom, mesmo usando uma das ferramentas mais poderosas e valiosas do planeta, como o Google. Ou seja, não tenha medo de seu chefe te substituir por um bot, pois provavelmente ele ainda não sabe demandar e gerenciar um… Pedir algo para um ser humano é bem diferente de pedir para um robô. Existe então espaço para esse robô fazer parte da sua equipe, e não pegar o seu lugar.

A descentralização da inovação

Segundo estudo da Gartner divulgado no início deste ano; “on average, 41% of employees outside of IT – or business technologists – customize or build data or technology solutions. Gartner predicts that half of all new low-code clients will come from business buyers that are outside the IT organization by year-end 2025, too.” Ou seja, o conhecimento sobre como utilizar dados, tecnologia e inteligência artificial nas empresas não pode estar mais apenas nas áreas “técnicas”. Pense como era o mercado de trabalho antes do Power Point, Excel, Email… Boa parte de nossas tarefas cotidianas como fazer uma apresentação, criar um relatório ou planilha de orçamento, eram tarefas de áreas “técnicas” para época, mas hoje são execuções cotidianas de 99% dos profissionais. Estamos agora vivendo algo parecido… Se nossos pais ou avós tiveram de fazer cursos de Power Point e Excel para se manterem relevantes no mercado de trabalho da época, nossa geração precisa urgentemente aprender os novos skills para não se tornar obsoleta num mundo onde trabalhar de forma cooperada com as máquinas se torna tão trivial quanto fazer uma apresentação ou gerar um relatório.

Manda quem sabe, obedece quem entende

Não é de hoje que uma máquina nos diz o que fazer… Vamos pelo básico: todos aqui, desde sempre, devem acordar com um despertador. Mas o que está mudando? Enquanto no passado nós, humanos, programávamos o despertador para nos acordar na exata hora e minuto que gostaríamos (ok, gostar não, precisar…) hoje em dia já existem inúmeros despertadores que definem a melhor hora de nos acordar baseado em dados. O cruzamento de dados como os compromissos em nossa agenda, informações sobre o trânsito e análise do nosso sono durante a noite, fazem o despertador entender o melhor horário para nos despertar. E não apenas acordar, mas também o que comer, a hora de comer, os exercícios que devemos fazer e por aí vai. Como bem colocado pela Daniela Forte, do ItauBBA, durante uma palestra do Morse que fizemos essa semana para alguns executivos do banco, “viemos da Revolução Industrial, na qual tínhamos as máquinas executando o que nós pensávamos, para uma Revolução de A.I. que coloca as máquinas pensando para os humanos executarem…” Ainda acha esse raciocínio distante da realidade atual? Pense no Waze… Quem pensa e define o caminho e quem dirige o carro…?

Meu chefe é um robô

E se o dia-a-dia da nossa vida pessoal já possui influência de dados, máquinas e algoritmos, quem diria o mundo corporativo, na busca constante de eficiência e rentabilidade. Muitas decisões corporativas já são tomadas baseadas em dados, a tão falada gestão data driven. Nesse sentido, em alguns casos, quem (ou o que) define o que deve ser feito numa empresa são as máquinas. Mas até que ponto podemos “esticar essa corda”? Poderia em algum momento o seu gestor ser uma plataforma de A.I.? Esta semana no MorseTV na Claro (que vai ao ar toda terça às 13:00 pelo Canal 500) o Gabriel Villa trouxe uma provocação interessante sobre as DAO (Decentralized Autonomous Organizations) ou seja, organizações nas quais a liderança é autônoma e toma decisões sozinhas baseadas em dados que levam em consideração as regras especificadas através de softwares via contratos inteligentes que são validados por blockchain. Muito tecnológico? Mas é um pouco mais simples… Sabe aquela discussão que você já teve com o seu(sua) chefe sobre a sua entrega, seus resultados e a percepção dele(a) sobre tudo isso? No caso do DAO, é mais simples, indicadores financeiros, ou mesmo não financeiros, como OKRs, são avaliados e interpretados com objetivo de analisar os avanços e entregas de uma organização trazendo uma análise prática e pragmática sobre o trabalho executado e sugestão sobre decisões a serem tomadas, como um bônus ou aumento por exemplo. Perde-se sim pelo lado humano e feeling, mas ganha-se quando seu trabalho foi perfeito mas seu chefe não vai muito com a sua cara…

#VoteA.I.2026

Se para empresas privadas o conceito pode parecer estranho, vamos falar de entidades sem fins lucrativos, cooperativas ou, porque não, governos? Vamos pelo básico. Como bem levantado pelo Gabriel Villa, “qual o papel de empresas como o Uber?”, ajudar os motoristas a terem mais corridas e os passageiros a otimizar sua logística. Lembrando que os táxis se organizam a muito tempo através de cooperativas que tinham esse objetivo, mas foram atropeladas pela tecnologia, não poderia o Uber ser uma cooperativa? Ou uma Autonomous Cooperative, garantindo que as necessidades do mercado fossem atendidas, mas sem as elevadas margens de intermediário… E os Governos? Pelo conceito da Democracia, os governos deveriam atender as demandas e expectativas da sociedade, mas como tirar da equação os interesses pessoais, dos partidos e partes relacionadas? Com tantos “favores” no backlog dos políticos que chegam ao poder, é difícil imaginar que decisões não tenham ao menos a consideração de alguma variável de interesse que não seja da sociedade. Por que então não deixar a inteligência artificial tomar as decisões? Distribuição de verba por necessidades, escolha de fornecedores, definição de prioridades. Mas vamos deixar um robô nos governar? Não! Lembrem-se que no texto acima explicamos que nas DAO’s, as regras e premissas são definidas por seres humanos, a organização é autônoma para encontrar as alternativas mais eficientes em busca dos resultados e expectativas. Além disso, poderia tranquilamente ser um sistema com participação direta da sociedade trazendo seus inputs e tendo a transparência sobre todo o processo. Tecnologia não falta… De aplicativos à Blockchain.

CEO to CCO

Mas quer dizer então que em breve podemos ter governos e empresas autônomas na qual o líder se torna um robô? Não exatamente: liderar é diferente de executar. CEO é a sigla para Chief Executive Officer, onde o “executive” vem de “executar”. Na maioria das grandes empresas o CEO reporta para o Board of Directors, ou Conselho de Administração, entidade que define a estratégia e os principais indicadores a serem buscados pela empresa. Cabe ao cargo executivo, como desdobramento, definir e monitorar as atividades e KPI’s que cada área deve realizar na busca das metas e objetivos estipulados pelo board. E esse trabalho está sendo sim, cada vez mais pautado em dados, e a decisões indicadas por inteligência baseada em algoritmos… Mas liderar um negócio com certeza ainda não pode ser feito pela máquina. Empresas, mesmo com o avanço da tecnologia, ainda são construídas, e suportadas, por pessoas, e pessoas possuem suas particularidades que só nós mesmos conhecemos. Com isso, a figura do líder do futuro será cada vez menos pautada na definição e monitoramento das tarefas e KPI’s, e mais focada na criação, disseminação e manutenção do Propósito e da Cultura dos negócios. Em 2009 o autor Grant McCracken publicou o livro Chief Culture Officer (que recomendamos) e fala um pouco sobre a importância desse papel.

E A.I.? Qual o futuro?

Por fim, voltamos ao ponto sobre saber entender e pedir. Podemos ter exagerado (ou não) em nossas provocações.  Você pode concordar ou não com o rumo ou a velocidade das mudanças. Mas uma coisa você não pode discordar, as mudanças já estão acontecendo e os exemplos pipocam a cada dia. A relação ser humano / máquina já está acontecendo e só deve avançar. Qual o skill do futuro? A capacidade, e a habilidade, de saber lidar com pessoas e máquinas ao mesmo tempo. Uma mistura de Diretor de Recursos Humanos com Diretor de Tecnologia, profissões que até pouco tempo atrás eram praticamente antagônicas, se tornam agora a soma das habilidades para liderar empresas que possam extrair o máximo do trabalho conjunto e cooperado entre máquinas e humanos.

**Esse texto foi idealizado por inteligência humana e escrito com ajuda de inteligência artificial**

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