Reciprocidade, a palavra da vez no mundo dos dados

5 de novembro de 2018 Off Por morse

Em um mundo cada vez mais “data-driven”, não é novidade que empresas estão em busca de dados para conhecer melhor seus clientes. Não à toa que privacidade virou o assunto da vez e muito já está sendo feito nessa frente. Mas e a reciprocidade? Será que a análise desses dados e entendimento do comportamento dos usuários têm trazido benefícios para todos?

Como João Carvalho, também conhecido como nosso CEO, tem comentado em suas palestras e artigos, “os usuários estão cada vez mais informados sobre como e para que seus dados são coletados, não adianta apenas estar em compliance com as leis e melhores práticas relacionadas à privacidade, precisamos também garantir que esses dados serão utilizados para melhorar os produtos e serviços, entregando uma melhor experiência para os usuários, não apenas anúncios mais assertivos”.

 

Um exemplo da China

Seguindo esse raciocínio, uma startup chinesa mostrou que essa reciprocidade é sim possível, e o melhor, é muito rentável!

Ao criar um jornal personalizado a chinesa Bytedance foi elevada ao posto de startup mais valiosa do mundo. A empresa recebeu um investimento de US$ 3 bilhões do SoftBank e atingir o valor de mercado de – preparem-se – 75 BILHÕES de dólares.

Jinri Toutiao  (fala-se ‘dinrí-toutiáo’ e significa “manchetes do dia” em português, #arrasandonomandarim #partiupequim), aplicativo da Bytedance, entende os interesses de quem usa por meio do machine learning, da análise, surge uma página de notícias diferente para cada pessoa. “Uma plataforma personalizada de leitura ganha tempo para os usuários”, disse o criador da startup, Zhang Yiming lá pelos ditos 2014, quando tinha só 31 anos. Yiming criou a Bytedance com 29 anos.

 

Dados importam

Os algoritmos do aplicativo chinês usam informações de histórico do browser, cliques, geolocalização e até mesmo dos modelos de telefone dos usuários para darem, em troca, uma leitura que se encaixa no gosto e no dia a dia da pessoa – tornando as propagandas dentro do aplicativo também igualmente refinadas.

O resultado: mais de 120 milhões de usuários diários, que passam, em média, 74 minutos por dia no aplicativo. Além de 10 bilhões de visualizações de vídeos a cada dia e, vejam só, receita anual de US$ 2,5 bilhões. De tão importante, a startup recebeu a visita de ninguém mais, ninguém menos que Tim Cook em outubro. Hey, Tim, pode visitar a gente também se quiser, viu?

 

Context, context, context

O modelo da chinesa não é completamente desconhecido para aqueles que conhecem plataformas de streaming. Tem uma galera chamando isso de “context model”.

Diferente do “access model”, que apenas disponibiliza o conteúdo para as pessoas, o “context model” utiliza os dados do uso para entregar uma experiência personalizada para elas. Os números de mercado mostram que o segundo modelo tem sido vencedor. A própria ByteDance é uma prova. Mas quer outra? O Spotify! O serviço de streaming fechou o terceiro trimestre com 87 milhões de assinantes do seu serviço pago. Muito à frente da Apple Music, que tem 43,5 milhões de assinantes que pagam.

 

Quem é você?

Lá por 2015, o cofundador do Spotify, Daniel Ek, disse que eles precisavam entregar a música não mais por gênero, mas baseado em “quem o usuário é”, na sua atividade e no sentimento dele no dia. É a lógica que há por trás do sistema de recomendações do aplicativo, que, segundo especialistas, é o que o coloca, hoje em dia, como melhor do que o Apple Music.

Como no Toutiao, da Bytedance, o Spotify entrega uma experiência ainda mais personalizada a cada vez que você utiliza o serviço. É quase como numa amizade: quanto mais a pessoa passa tempo contigo, mais ela te conhece e a relação melhora. Ou seria um namoro? Porque trocar de plataforma de streaming é quase como começar um novo namoro: a plataforma precisa te conhecer, saber o que você gosta e não gosta, conhecer seus amigos e criar um histórico, para no final te surpreender no dia-a-dia com conteúdos que sejam a sua cara.

Em resumo, pense na reciprocidade do uso dos dados como um novo aliado para retenção, fazendo com que o amor com seus clientes dure para sempre :).