GHOST INTERVIEW #2 | Jimmy Iovine

12 de dezembro de 2018 Off Por morse
Our friend Jimmy
Depois de mais de 30 anos na indústria musical, ele já estava pronto para se aposentar. Mas, numa conversa informal com um amigo, aka Dr.Dre, ele resolveu criar uma empresa de fones que, seis anos depois, foi comprada pela Apple por US$ 3 bilhões. Ele, no caso, é Jimmy Iovine, o nosso “entrevistado fantasma”* da semana.

Reserve uns cinco minutos do seu dia para saber as opiniões desse cara que não só foi responsável por lançar nomes como Eminem e Lady Gaga, como também fez sucesso quando saiu do mercado de conteúdo para o de hardware . Ah, e aproveita para ler enquanto escuta esta playlist (sabemos que você é o cara da Apple Music, Jimmy, mas a conta do MORSE é do Spotify, fica aí a nossa desculpa oficial). 

*Ghost Interview é uma curadoria das principais entrevistas, vídeos e conteúdos recentes das pessoas abordadas em forma de uma única entrevista. Tentamos ao máximo manter as palavras e o contexto das entrevistas, mas as traduções ou mesmo adaptações podem gerar interpretações diversas. Por esse motivo compartilhamos sempre o link da íntegra das entrevistas e textos de onde extraímos os conteúdos. Dúvidas ou sugestões, portas sempre abertas 🙂
For the Record
Você tinha 53 anos quando criou a Beats com o Dr. Dre e 61 quando ela foi vendida para a Apple, e você começou uma nova jornada na Apple Music, o que fez você seguir esse caminho e não se aposentar como dono da Interscope? 

No minuto que eu vi o Napster, eu percebi que a indústria fonográfica estava frita. A plataforma era grátis, fácil e simplesmente mais inteligente do que a forma que a gente estava fazendo as coisas. Então estava andando na praia e Dre disse para mim “ei, cara, meu advogado quer que eu venda sneakers”. Eu respondi: “Dre. ninguém se importa com o que você veste. Você é sobre áudio. As pessoas vão comprar a música que você recomendar. Danem-se os sneakers, faça speakers”.

Antes da Beats, os fones pareciam equipamentos médicos. A empresa mais popular batia no peito para dizer “você pode dormir com nossos fones”. Queríamos fazer os fones de ouvidos empolgantes.(Entrevista para a BBC em maio de 2018

Steve Jobs foi o primeiro a unir a tecnologia diretamente com a cultura popular. Eu pensei“Wow, a tecnologia é o novo artista”A Apple estava vendendo iPods de 400 dólares com fones de 1 dólar. Eles estavam fazendo um lindo objeto branco que poderia guardar toda a música do mundo… Pensei, “vou fazer um lindo objeto negro para tocar este conteúdo”. Dr.Dre e eu decidimos em fazer o marketing do produto exatamente como se ele fosse Tupac ou U2 ou o Guns N’Roses. No final, a gente queria recriar a experiência excitante de estar dentro do estúdio, e é por isso que fez sucesso.(Entrevista para Inc em maio de 2014

Você presenciou a mudança mais profunda do meio musical, começou a trabalhar no final dos anos 70 e seguiu até hoje, como criador e chefe da Apple Music, qual foi o papel da tecnologia nesse caminho? 

A posição da tecnologia da nossa vida, para mim, é como a da medicina. É como ciência: para consertar um problema. A indústria fonográfica não sabe para onde a tecnologia vai. No passado, a tecnologia os ajudou. O álbum mudou a maneira de se fazer negócio; o cassete, o cartucho, tudo isso ajudou a indústria; o CD fez o business explodir, qual foi a próxima tecnologia? MP3, mas ela cortou a receita pela metade. Então isso pode acontecer a qualquer momento. Todo mundo tem que se adaptar rápido para entender qual o nosso papel nessa mudança.(Entrevista dada à revista Billboard em novembro de 2017)
Agora a pergunta que vale mais de US$ 3 bilhões: qual o futuro da música no mundo do som de graça? 

O fato é que o streaming grátis de música é tão tecnicamente bom e onipresente que atrasa o crescimento do streaming pago. Duas coisas vão ter que acontecer: ou o streaming de graça se torna mais difícil ou restrito, ou os serviços pagos devem melhorar.Você precisa colocar tudo em prática para fazer que a experiência dos assinantes seja especial. E para que músicos se sintam encorajados a se promover.Nós vemos o Apple Music como uma plataforma cultural, e a música está se tornando cada vez mais sobre storytelling.  Vou colocar dessa forma: as pessoas que pagam pela assinatura devem, sim, ter vantagens. As gravadoras devem isso aos seus usuários. Se eles querem que os clientes sejam fiéis por muito tempo, as marcas têm que saber que devem experiência ao usuário. E o mais importante para as gravadoras e marcas fonográficas é fazer com que os serviços pagos sejam atraentes e divertidos. E que não façam os serviços de graça tão bons quanto os serviços pagos. Isso não é óbvio?

(Entrevista na Music Business, de maio de 2017)

Ainda no assunto dos streamings: o que o Spotify e a Apple Music podem aprender com o Netflix? E qual o futuro do streaming? 

Eu não acho que os serviços de streaming já estejam bons o bastante. É só olhar o catálogo: é uma questão de tempo até as músicas dos anos 50 virarem as dos anos 60 e a dos anos 50 virarem a dos anos 40. As pessoas que estão escutando as músicas dos anos 60 vão morrer, eu sou uma delas. A vida continua. Então você tem que ajudar os artistas a criarem novas músicas que eles nunca conseguiriam criar sozinhos. É mais a ideia de construir um ambiente onde eles podem ter liberdade de criação.(Entrevista dada à Billboard, em novembro de 2017

Eu vejo um grande paralelo entre os serviços de streaming de música e os de vídeo/TV.Para ganhar escala, as empresas precisam refletir o que está acontecendo em lugares como Netflix. Agora, o streaming de música é muito mais uma utilidade. Se um deles reduzir o preço, o resto está ferrado, porque não há uma oferta única. O Netflix tem toneladas de catálogo original, 6 bilhões de dólares de conteúdo original lançado todo ano. Isso é gera valor. Todos os streamings de música têm, exatamente, o mesmo catálogo e as mesmas músicas. Mas não é inteligente e o futuro mostrará que não haverá sucesso. A não ser que os serviços de streaming se tornem plataformas e apresentem algo de único, eles não vão ganhar em escala. (Entrevista para a Radio Times, de março de 2018)


Você já produziu álbuns de John Lennon, Bruce Springsteen, Patti Smith e U2, o que aprendeu com eles para a sua vida profissional e que usa até hoje? 

O que eu aprendi [com os grandes músicos] foi fazer do medo um vento de cauda, não um vento contrário. Você tem que fazer o medo te puxar para frente e estar disposto a falhar. Os grandes falharam. Bruce Springsteen tem tanto medo quanto todos nós, mas ele sabe como conquistá-lo. Se você é incrível, isso significa que você tem medo que no próximo dia não seja. Mas você continua tentando e nunca está satisfeito.(Entrevista dada para a Esquire, em junho de 2017)Gostou? Compartilhe 
Let’s get high
A história continua no Netflix: The Defiant Ones conta em detalhes a história de Jimmy, Dr. Dre e da Beats até a venda bilionária da empresa para a Apple.
Stuff people say:

Just because you did something big once doesn’t mean anything. You have to be willing in your heart to begin again every day“.

Jimmy Iovine