GHOST INTERVIEW #38 | The Android Creator!

11 de setembro de 2019 Off Por morse

Ontem vocês acompanharam o lançamento do iPhone 11 Pro, mas a gente não vai falar disso por aqui. Nada contra a Apple, inclusive o Ghost Interview já falou com uma galera de lá – a Jennifer , o Jony e o Jimmy …), mas dessa vez a gente olhou para o outro lado. Fomos atrás de Andy Rubin, criador do Android e, agora, fundador da Essential, empresa que quer colocar inteligência artificial nos devices.

Aficionado por robótica (e fã de Star Wars), Rubin pensou no sistema operacional mais popular do mundo para ser usado em… uma câmera digital. Sim, o Android foi concebido antes da existência de smartphones. Corta uns anos para frente, ele agora está de olho nos próximos movimentos do Mobile. Dá uma lida:

New Droid

Andy, você trabalhou um tempo na Apple, depois foi para a General Magic, depois co-fundou a Danger e foi responsável pela criação do Sidekick, um dos primeiros “smartphones”. O que levou você a criar o Android – na empresa com o mesmo nome – em 2003? Poderia falar um pouco de como foi o começo do Android no Google?

O plano inicial era criar uma plataforma para câmeras digitais, com uma parte na nuvem para as pessoas conseguirem guardar suas fotos online. Na verdade, a mesma plataforma e sistema operacional que nós criamos para câmeras se transformaram no Android para telefones.  

No nosso pitch original para investidores em abril de 2004, tinha o slide de uma câmera digital conectada “com ou sem fio” a um computador, que então, era ligado ao “Datacenter do Android”. Mas o crescimento de vendas de câmeras digitais estava desacelerando gradualmente. Então a gente mudou o plano de negócios. Cinco meses depois, o Android já era vendido como uma “solução open source para handsets”.

Nós decidimos que câmeras digitais não seriam um mercado grande o bastante. Além disso, estava preocupado com a Microsoft e com o Symbian. Eu não estava preocupado com o iPhone ainda. Tinha uma oportunidade no momento porque, mesmo com os custos de hardware caindo bastante, os fornecedores de software estavam cobrando a mesma quantia pelos seus sistemas operacionais, ocupando uma parte cada vez maior do orçamento dos fabricantes. Como o Android considerou seu produto uma plataforma para venda de outros serviços e produtos, a gente buscou crescimento e não receita por unidade.

[Já no Google] Queríamos que o maior número possível de celulares usasse o Android. Então, em vez de cobrar US $ 99 ou US $ 59 ou US $ 69 no Android, o entregamos de graça, porque sabíamos que o setor era sensível aos preços.
(Fala em reportagem publicada na PC World em 16 de abril de 2013)

O Google comprou o Android em 2005 e já começou a trabalhar no OS. Lemos até que vocês chegaram a criar um smartphone, mas que foram “furados” pelo iPhone, que foi apresentado antes. De qualquer forma, vocês lançaram oficialmente em 2008, pela regra do mundo tech vocês “chegaram tarde”, por que fizeram tanto sucesso? 

O Android começou a crescer porque é aberto para várias marcas e consegue rodar em arquiteturas diferentes. É um jogo de números. Quando você tem vários fabricantes originais de equipamento construindo produtos diferentes em categorias diversas Era uma questão de tempo [para o Android superar o iOS e o RIM].

Plataformas abertas normalmente ganham. 

(Entrevista ao New York Times em 27 de abril de 2010, o Android passou a ser a plataforma mais popular no início de 2011)

O Android mudou muito de cara desde que ele foi lançado. Antes ele era uma área separada do Google, depois passou a ser mais e mais absorvido, até que, em 2014, o atual CEO do Google foi chefiar o setor. Você saiu do Google mais ou menos nessa época e foi criar um fundo de VC. Criou uma empresa que faz smartphones e outros devices. Como é estar do outro lado?

Criei uma empresa inter-operável. Anti- walled gardens. As grandes empresas estão sentadas no seu próprio ecossistema e estão apenas esperando que os usuários cheguem até elas. E eles podem ser os donos do pedágio que diz sim ou não para aquilo que vai chegar no usuário. Nós estamos trabalhando para que os nossos produtos e sistemas consigam conversar com outros devices porque nós sabemos que essa é a maneira que os consumidores querem viver.
(Apresentação na Wired Business Conference em agosto de 2017)

Nesse sentido, é difícil não falar da internet das coisas. Qual a sua visão sobre o “Mobile Expandido”?

No mundo dos dispositivos múltiplos, existem segmentos não endereçados. E acho que algo precisa unir todos os dispositivos da sua vida, seja o seu telefone ou um relógio. Ou talvez um dia seja um telefone menor e menos capaz. Talvez [o telefone pequeno] seja muito bom em se comunicar, mas você não precisa de todos os aplicativos no telefone. E [quando] você sai para jantar, fazer jogging ou assistir a um evento esportivo, vai querer usar o telefone menor porque é mais conveniente do que um phablet. E você pode optar por levar o phablet para o trabalho porque ele possui uma tela grande. Então, acho que os consumidores terão mais opções no futuro.

As operadoras já estão começando a suportar esse cenário com cartões SIM eletrônicos, e todas as operadoras nos EUA têm um serviço no qual você pode ter um número de telefone que toca em vários cartões SIM. Então, acho que você verá essas plataformas emergentes que permitem gerenciar isso basicamente da perspectiva da interface do usuário. Não pense nisso como um fardo de gerenciamento, onde é mais uma coisa que tenho que fazer. Pense nisso como podemos inventar tecnologia de software que torna o gerenciamento de todos os devices invisível para você. 

(…)Meu ponto de referência é o Android. Quando o Android chegou ao mercado em 2008, havia Linux, a Motorola tinha seu próprio sistema operacional. Havia tantos sistemas operacionais para telefones, e isso me lembra o que está acontecendo no mercado de IoT hoje. Todo mundo está construindo seu próprio sistema operacional. E o que é preciso é um sistema operacional horizontal. Pela primeira vez no Android, um telefone Samsung pode executar o mesmo aplicativo que um telefone Motorola. Isso nunca tinha acontecido antes. No futuro, acho que existem derivados disso que ajudarão nesse cenário inicial da IOT.
(Entrevista à revista Time em 21 de setembro de 2017)

Você falou em uma apresentação recente que o “mobile não vai morrer”, como imagina que será o smartphone do futuro?

Acredito que iremos chegar num ponto em que o celular será a nossa versão virtual, assim a gente conseguirá fazer tarefas mundanas como jantar, sem precisar tocar o telefone, já que ele executará outras tarefas em seu lugar. 

Tanto telefones quanto outros devices conseguirão prever o que o usuário precisa, classificando através das notificações, ignorando algumas, destacando outras dependendo da hora do dia ou da localização da pessoa.  Se alguém enviar uma mensagem para você, ‘você quer comer sushi hoje à noite?”, Ele apresentará seis respostas e você escolherá a melhor resposta. E com o tempo, você a reforça, dando a resposta certa, e ela se torna ciente de seu gosto e preferências, e provavelmente pela enésima vez, não faz mais uma pergunta. 
(Entrevista à Bloomberg em 18 de agosto de 2017)